Thursday, 29 de October de 2026 FacebookInstagramYouTubeTikTok
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Valdemar Costa Neto desautoriza carta golpista de Flávio Bolsonaro: “Ninguém aprovou”

Foto: Foto: reprodução internet

A decisão de Flávio Bolsonaro (PL) de deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos, desrespeitando uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), desencadeou uma crise imediata com a cúpula de seu próprio partido. Ao publicar uma carta na qual rejeita o resultado das eleições presidenciais e tenta se firmar como o “líder do Brasil”, o senador encontrou forte resistência do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Nesta quinta-feira (29), após visitar Jair Bolsonaro — que cumpre prisão domiciliar devido à condenação por envolvimento em tramas golpistas —, Valdemar foi incisivo ao reprovar a postura de Flávio. “Não gostei. Ninguém aprovou a carta. Ninguém aprova essa situação que aconteceu com o Flávio… queremos tocar o país para frente”, declarou o dirigente à imprensa. Expondo a falta de articulação da família, Valdemar revelou ainda que a viagem foi mantida em segredo até para o ex-presidente: “Ele veio ver o pai, nem o Bolsonaro sabia que ele ia”.
A narrativa adotada por Flávio choca-se frontalmente com o pragmatismo institucional do PL. Sob o comando de Valdemar, a legenda reconheceu o resultado das urnas e a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chancelada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O foco do partido agora é evitar que atitudes extremistas corroam o forte capital político angariado no último pleito.
Após a repercussão negativa, Flávio apagou a postagem original e publicou uma nova versão. Retirou termos como “verdadeiro presidente do Brasil”, trocando-os por “líder”, mas manteve inalteradas as alegações infundadas de que a eleição teria sido fraudada.
A insistência na retórica golpista acentuou o isolamento político do senador. Nomes de peso da centro-direita rapidamente se distanciaram da manobra. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu abertamente o respeito às urnas, postura endossada por legendas como PSD, União Brasil, MDB e PSDB, que repudiaram o teor da carta.
Nos bastidores, o cálculo do PL envolve a transição da liderança da oposição. Valdemar e Jair Bolsonaro avaliam o estrago causado pela fuga de Flávio em um momento decisivo de reorganização. Com o capital político do ex-presidente precisando de um herdeiro, o nome de Michelle Bolsonaro desponta como a opção natural da legenda para agregar a base conservadora — um movimento que sofre resistência interna dos filhos de Bolsonaro, mas que parece inevitável diante do isolamento daqueles que ainda apostam no radicalismo.

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