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Política

Netanyahu perde maioria no Parlamento de Israel e futuro do governo fica indefinido

Mesmo com o Likud como partido mais votado, coalizão do primeiro-ministro não conseguiu as 61 cadeiras necessárias para governar. Partidos árabes ganham protagonismo e podem decidir os rumos políticos do país.

Foto: Benjamin Netanyahu e Gadi Eisenkot — Foto: Yonatan Sindel/Pool via REUTERS e REUTERS/Shir Torem

As eleições parlamentares realizadas em Israel na última terça-feira (27) deixaram o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu diante de um cenário de incerteza política. Embora seu partido, o Likud, tenha conquistado o maior número de cadeiras no Parlamento, a coalizão que sustenta seu governo perdeu a maioria necessária para permanecer no poder sem negociar novos apoios.

Os resultados da apuração, divulgados nesta sexta-feira (30), mostram que o bloco liderado por Netanyahu conquistou 53 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento israelense. Para formar um governo majoritário, são necessários pelo menos 61 parlamentares.

A principal oposição, liderada pelo ex-chefe das Forças Armadas Gadi Eisenkot, conquistou 48 cadeiras. Outras 19 ficaram com partidos de liderança árabe, que registraram um desempenho histórico e passaram a ocupar uma posição decisiva nas negociações políticas.

O resultado abre caminho para semanas de negociações e coloca em dúvida a continuidade de Netanyahu, o primeiro-ministro que permaneceu por mais tempo no cargo na história de Israel.

Como ficou o Parlamento de Israel?

O Likud, partido de Netanyahu, conquistou 27 cadeiras, mantendo-se como a maior força individual do Parlamento. O Yashar, liderado por Eisenkot, ficou em segundo lugar, com 21 representantes.

Apesar da liderança do Likud, a distribuição das cadeiras entre os diferentes grupos políticos impede que qualquer um dos principais blocos forme um governo sozinho.

A oposição precisaria negociar com outras forças políticas para alcançar a maioria. Nesse cenário, os partidos árabes Ra’am e Lista Conjunta, que conquistaram juntos 19 cadeiras, passaram a ter um papel fundamental.

Se os 48 parlamentares do principal bloco oposicionista se unissem aos 19 representantes dos partidos árabes, a aliança teria 67 cadeiras, número suficiente para formar uma maioria parlamentar.

Entretanto, essa possibilidade enfrenta resistências. Algumas legendas da oposição rejeitam uma coalizão com partidos árabes, em razão de divergências ideológicas e políticas.

Partidos árabes podem definir quem será o próximo primeiro-ministro

Um dos principais acontecimentos da eleição foi o fortalecimento da representação política dos cidadãos árabes de Israel.

A Lista Conjunta conquistou 11 cadeiras, enquanto o Ra’am obteve outras oito. Juntas, as duas legendas alcançaram uma representação histórica no Parlamento.

Esse resultado coloca os partidos árabes em uma posição estratégica. Seus representantes poderão participar de negociações capazes de influenciar a escolha do próximo primeiro-ministro e a composição do governo.

No entanto, a formação de uma aliança entre partidos árabes e grupos da oposição judaica enfrenta obstáculos importantes.

Netanyahu já manifestou oposição à formação de um governo apoiado por essas legendas. Entre seus adversários, também existem divergências sobre a possibilidade de estabelecer uma parceria política.

A situação evidencia a fragmentação do sistema partidário israelense, no qual a formação de governos depende frequentemente de acordos entre grupos com posições ideológicas distintas.

Netanyahu questiona participação dos partidos árabes

A divulgação dos resultados também foi acompanhada por acusações de irregularidades eleitorais.

Netanyahu e integrantes do Likud levantaram suspeitas de interferência estrangeira e possíveis irregularidades envolvendo partidos árabes, mas não apresentaram publicamente provas que sustentassem as acusações.

Autoridades eleitorais israelenses afirmaram não haver fundamento para alegações de violações sistemáticas da integridade do processo eleitoral.

O serviço de segurança interna de Israel, conhecido como Shin Bet, foi acionado para examinar informações sobre uma possível interferência externa.

A investigação, entretanto, não representa uma comprovação das acusações, e as autoridades ressaltaram a necessidade de preservar a legitimidade do processo democrático e dos eleitores.

O que acontece agora em Israel?

Com a apuração concluída, os resultados ainda precisam passar pela etapa formal de certificação e ser encaminhados ao presidente Isaac Herzog, prevista para 4 de novembro.

Caberá ao presidente consultar as diferentes forças políticas e escolher um parlamentar para tentar formar o próximo governo.

A indicação não precisa necessariamente recair sobre o líder do partido mais votado. O principal critério é a possibilidade de reunir apoio parlamentar suficiente para construir uma coalizão.

O escolhido terá inicialmente 28 dias para negociar uma maioria, prazo que poderá ser prorrogado conforme as regras do sistema político israelense.

Caso as negociações fracassem, outros parlamentares poderão receber a oportunidade de formar governo.

Se nenhuma alternativa reunir apoio suficiente, Israel poderá enfrentar uma nova eleição já no início de 2027.

Enquanto isso, Netanyahu permanece no comando do governo.

Resultado pode marcar uma mudança na política israelense

As eleições de 2026 ocorreram em um ambiente de profundas divisões políticas e sociais, após anos de conflitos regionais, questionamentos sobre a segurança nacional e controvérsias envolvendo o governo Netanyahu.

A perda da maioria parlamentar representa um revés importante para o primeiro-ministro, mas não determina automaticamente sua saída do poder.

O futuro político de Israel dependerá agora da capacidade dos partidos de superar divergências e construir alianças.

A oposição dispõe de caminhos matemáticos para alcançar uma maioria, mas enfrenta dificuldades políticas para transformar essa possibilidade em um acordo de governo.

Netanyahu, por sua vez, precisará ampliar sua base de apoio ou negociar uma composição alternativa para continuar no cargo.

O resultado deixa uma questão central para os próximos dias: os partidos que se opõem a Netanyahu conseguirão transformar a maioria potencial em um novo governo ou as divergências internas permitirão que o primeiro-ministro permaneça no poder?

A resposta dependerá das negociações que começam a redesenhar o cenário político israelense.

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